Igreja Católica e Tango?A igreja Católica e Tango

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Com a entronização de Francisco I, primeiro Sumo Pontífice Sul-americano de nacionalidade Argentina, decidimo-nos debruçar sobre um assunto: qual o ponto de vista da Igreja Católica sobre o Tango?

Em 1913, quando este ritmo latino contaminava os salões de dança parisienses, os bispos franceses o condenavam ferozmente, pedindo que a Santa Congregação da Disciplina dos Sacramentos considerasse a sua proibição. Em 1914 a aristocracia italiana ansiava dançar tango no Carnaval, fazendo com que os diplomatas da embaixada argentina em Roma se sentissem pressionados a provar ao Papa Pio X que esta dança estava longe de ofender os costumes cristão, antes que as Forças Armadas Italianas proibissem a dança. Para verificar os “perigos” do tango, antes do Carnaval, já em Fevereiro do mesmo ano, o tango foi dançado para a Sua Santidade Pio X numa versão mais leve e inofensiva, de tal forma a não ofender os padrões morais da Igreja, que o Santo Padre o achou aborrecido, aprovando-o mas recomendando outra dança camponesa, a “furlana”, que considerava mais animada.

Com esta autorização o tango abriu novos caminhos, expandindo-se na sua expressão musical com ritmos mais lentos, passos mais cadenciados e “regressou” à sua terra natal, Buenos Aires, conquistando a classe média e abrindo caminho ao sucesso de cantores como Carlos Gardel.

Claro que a má fama do tango não desapareceu por completo na Europa, voltando em 1924 a ser questionado por Pio XI, que após assistir a dança que terminou em posição de genuflexão do bailarino Casimiro Aín, ao som de “Ave-Maria”, de Francisco Canaro, retirou-se do salão em silêncio, não se pronunciando mais sobre o assunto, o que levou a que a sua reacção fosse interpretada como uma aprovação silenciosa. Desde então o tango não tornou a ser questionado pela Santa Sé.

Actualmente é considerado e reconhecido como uma expressão artística argentina e Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2009, ressurgindo modernamente um pouco por todo o mundo, onde se multiplicam escolas e bailes de Tango (chamados de Milongas).

E qual a posição de Jorge Mario Bergoglio em relação ao Tango? Ao que parece, para além de primeiro Papa Francisco, primeiro Papa Jesuíta e primeiro Papa Sul-Americano, é também o primeiro Papa que dançou tango na sua juventude. Segundo consta na entrevista publicada no livro “O Jesuíta”, o Sumo Pontífice costumava dançar tango aquando jovem com o seu grupo de amigos, mas tinha preferência por dançar milonga. Na mesma entrevista falou de alguns compositores de sua preferência como Juan D'Arienzo, Carlos Gardel, Julio Sosa e Astor Piazzolla.

Celestial ou profano, o Tango talvez possa ser comparado a um bom vinho, que tanto pode ser sacramentado como embriagar.

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